terça-feira, 17 de janeiro de 2012

O Testemunho - Final

"Deus,eu não te conheço,só ouço falar que  o Senhor existe e que também o Senhor é bom.Eu sei que não mereço,mas...me livra desse inferno,porque saindo do inferno,eu vou te procurar até te encontrar Deus,amém!

Foi essa a oração que eu fiz naquele sábado,já era mais ou menos 23:50 da noite.Peguei uma toalha e fui tomar banho,eu tinha o pensamento limpo naquele momento,já não sentia mais medo e nem sentimento algum,eu estava com meu coração em paz.
A 00:00 hora,exatamente a  meia noite,o carcereiro veio até a cela e falou em alta voz"Marcio Miguel de Oliveira Silva"disse ele.E eu respondi"Sim senhor,sou eu senhor,estou aqui no banho"falei imediatamente,como quem toma um susto."Se troca e pega suas coisas,a sua advogada esta ai fora e veio te buscar,eu não sei como,mas você está livre". Imediatamente eu sai do banho,sem roupa e sem nada,eu pulava sem saber pra onde ir.Os garotos que estavam dormindo,corriam para o lado e para o outro e me abraçavam,enquanto o carcereiro gritava para eu colocar a roupa e pegar minhas coisas rapidamente.Eu tinha quebrado uma das regras,eu não podia ficar nu na cela,mas aquela altura ninguém queria saber de regras,todos comemoravam a minha liberdade.
Já de roupa vestida,eu cumprimentava os garotos e me despedia deles,os olhos deles lacrimejavam de lágrimas,a alegria deles era notória ao me ver sair.Quando eu sai da cela,ouvi um barulho ensurdecedor,a cela dos maiores do outro lado do pátio estava em festa,eles gritavam assim..."Cantou,cantou,cantou" e eu sem entender o barulho e os gritos,perguntei meio assustado para o carcereiro,e ele me respondeu"Toda vez que alguém é livre da prisão,eles fazem essa gritaria,cantou significa que Cantou a Liberdade".disse ele para mim.Eu pedi um minuto para o carcereiro e fui até lá,havia um rapaz do meu bairro que eu conhecia,eu olhei para ele,cumprimentei ele, disse que estava indo embora,ele então me respondeu,"Eu sei que você está indo embora,essa festa é pra você,vai em paz rapaz e nunca mais volta pra esse lugar,isso não é lugar pra você não."


Eu sabia disso,apertei a mão dele e desejei para ele o mesmo que aconteceu comigo,o carcereiro me gritou pelo nome e eu fui embora correndo.Quando passei pelo corredor após o carcereiro,escutei ele fechando o portão do pátio atrás de mim,esse barulho do portão foi o mesmo quando eu cheguei lá,mas agora era o barulho da saída,da liberdade.Fui conduzido por dois policiais para uma viatura,antes de sai da delegacia o carcereiro me acenou com a mão e disse"Vai pra casa garoto,vai com Deus"disse ele,agora mas alegre.
Na viatura,um policial dirigia e outro ficava comigo no banco de trás,o policial que estava comigo tinha um papel em mãos,notei que ele toda hora olhava para o papel e dava as ordens para o outro policial virar o carro ou seguir em frente na pista.Eu agora estava sem algemas e uma paz dentro de mim,bem diferente da ultima vez.O policial que dirigia estava agoniado e pediu para o que tinha o papel nas mãos,para me matar em qualquer lugar por ali mesmo,foi a primeira vez que senti medo novamente,afinal de contas,as ruas estavam todas escuras e eu nem imaginava onde estava.O tempo todo eu sofria ameaças,mas algo me dizia que aquele papel que o tenente segurava estava de um jeito ou de outro,me dando garantia de vida.Finalmente a viatura virou em uma rua que eu conhecia e quando olhei lá na frente,avistei a minha casa e disse ao policial que estava dirigindo"É ai senhor,é ai nessa casa do portão marrom que eu moro."disse afobado.O policial respondeu"Nós sabemos rapaz,esse papel que está na mão do tenente é a ordem de entrega de menores,tem o endereço da sua casa e também os nomes dos seus pais,com o prazo de entrega do dia de hoje até as 2:00 da manhã,você tem que estar em casa nesse horário,por determinação judicial.E agora são exatamente 1:10 da manhã,chegamos antes do horário determinado pelo juiz"disse o policial que dirigia.


Chegamos na minha casa,o tenente desceu e pediu para mim aguardar dentro do carro,estava tudo escuro na minha casa,mas dava pra ver uma luz acesa lá no fundo da dela.Depois de algumas palmas do tenente,o meu pai saiu,o tenente se identificou que era da policia e meu pai veio do corredor e abriu o portão.O tenente fez o gesto para mim sair do carro,e eu sai.Quando meu pai me viu,logo me abraçou,interrompido pelo tenente que pedia para meu pai assinar o papel,meu pai assinou e o tenente apenas disse"Seu filho está entregue,cuida dele agora e tenha um bom dia"disse o tenente com voz firme e autoritária.
Abraçado com meu pai entrei em casa,quase não sentia as pernas de tanta emoção,quando sai de casa,estava sem falar a 4 meses com minha irmã mas velha,chamada Rosana de Oliveira,mas quando a vi,foi a primeira que abracei e pedi perdão.Ela também era da Igreja Universal,estava começando a buscar com a minha mãe,quando eu ainda não tinha sido preso.Falar em mãe,algo me chamou atenção,quando meu pai disse"Maria! adivinha quem chegou..."disse meu pai,com tom de mistério na voz. E minha respondeu"Eu sei que é o meu filho,o meu Deus disse que ele chegaria hoje!".Aquilo tomou o meu coração de temor,agora eu sabia o porque daqueles acontecimentos na cadeia,a "confusão" com os papéis no fórum,tinha sido a oração que ela fazia a Deus na igreja,buscando por mim,agora eu conseguia entender.Fui ao encontro dela no quarto e pulei sobre ela,nos abraçamos e parecia que nada podia nos separar,naquela madrugada parecia ter festa dentro da minha casa,todos se abraçavam e comemoravam com muita alegria.


Tomei um belo de um banho quente e dormi,daquele dia em diante,a minha vida se transformou,eu consegui retribuir todo o sacrifício feito pelos meus pais e o Senhor Jesus mudou a trajetória da minha vida.




Na próxima postagem eu colocarei de forma bem simples e breve,o resultado daquele dia até hoje.O que aconteceu com cada pessoa que foi falada aqui nesse testemunho e a nova vida que o Senhor Jesus me deu,até a próxima e que Deus abençoe a todos os meu leitores!!!

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